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Cracóvia: um vibrante festival de cores e sons

Cidade polonesa reserva história e agito para viajantes dispostos a explorar a Europa Central

Agência Estado |

Indicada como nova queridinha da Europa Central, Cracóvia faz jus ao título. Enquanto a histórica Varsóvia ainda mantém uma atmosfera mais gris e melancólica, a jovial Cracóvia é um vibrante festival de cores e sons. À diferença ainda da atual capital polonesa, devastada durante a Segunda Guerra Mundial, Cracóvia não foi tão destruída. Sim, viveu na pele o extermínio pelos nazistas (o país tinha 140 mil judeus, agora não passam de 20 mil), a decadência econômica em tempos de domínio soviético e as diversas invasões que a dividiram entre Rússia, Prússia e Áustria até o início do século 20. Mas as cicatrizes históricas se transformaram em tatuagens modernas na metrópole.

Capital polaca por seis séculos, Cracóvia reúne o melhor dos países vizinhos – como a boemia da cultura austríaca, a noite underground similar à alemã, as simbólicas construções arquitetônicas e uns bons séculos de história marcados por guerras, conquistas, invasões e resistências – mas com um toque especial. Não, não é a vodca. É a forte presença de estudantes, polacos e estrangeiros, que rejuvenesce a cidade que abriga uma das mais antigas universidades do mundo.

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Galerias alternativas de arte, bistrôs e museus em fábricas desativadas são outras gratas surpresas que o visitante encontra pelo caminho de uma cidade religiosa, marcada por cerca de 120 catedrais, 40 históricas – com vários monumentos e ruas dedicados ao polonês Karol Wojtyla, o papa João Paulo II. No coração de Cracóvia, a Praça Rynek Glorny impressiona com seus ares medievais. Salpicada por artistas de rua, reúne barracas de flores e artesanato durante o dia. À noite, revela bons bares e casas de rock nos porões para além dos menus turísticos. Ali está ainda o mercado Sukiennice e a Bazylika Mariacka, a catedral de Santa Maria.

As primeiras horas da manhã trazem bons ventos para uma caminhada pelo centro histórico, a começar pela própria praça. Dali, uma trilha de aproximadamente três quilômetros leva ao Monte Wawell, onde o castelo e a catedral fazem sombra imperial ao Rio Vistula. Além de cartão-postal, o castelo mantém uma exposição interessante, com visita aos aposentos reais e ao tesouro da coroa. À tarde, visite os distritos de Kazimierz (bairro judeu) e Podgorze (gueto judeu). Em Kazimierz está uma das principais atrações da cidade: a antiga fábrica de Oskar Schindler, onde está o Museu Histórico de Cracóvia.

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Durante a Grande Guerra, os judeus eram transferidos do bairro ao gueto, onde ficavam confinados até que decidissem levá-los aos campos de concentração – uma parada obrigatória é Auschwitz, a 75 quilômetros de Cracóvia.

Ao cair da noite, a cidade iluminada por postes de luz dourada abre um leque de opções. Bares, cafés e pubs brotam aos montes nos históricos, porém restaurados quarteirões de Kazimierz, nos arredores da pracinha Plac Nowy, assim como na cidade antiga. Um bom roteiro inclui um aperitivo no Wodka Café Bar (Mikolajska, 5), que oferece mais de cem tipos de vodca – a de avelã é deliciosa. Depois, a pitoresca taverna Jama Michalika (Florianska, 45) esconde os clássicos da gastronomia polonesa. Experimente a sopa de cogumelos e o pierogi, espécie de ravióli típico.

Para badalar, o inferninho Carpe Diem Klub (Florianska, 33) se desdobra em um porão com mil facetas: bar para quem está na casa dos 30, pista agitada por indie rock e outros sons para os teens e jovens de 20 e tantos anos, outro bar para casais enamorados e mais um espaço só para fumantes. No fim da festa, possivelmente ao amanhecer (mesmo durante a semana), a cidade desperta sem nem sequer ter piscado os olhos. É hora de voltar às ruas para aproveitar o dia, talvez tranquilo nos verdes parques paralelos à cidade antiga, talvez agitado nos museus a céu aberto de uma cidade quase cênica. Não importa. Afinal, a cidade com ares de senhora ainda é uma criança.

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