ver novamente

Estrada Real, entre Cunha e Paraty, é um desafio aos ciclistas

Trajeto de 1.400 metros é esburacado e cheio de pedras; deve ser percorrido com cuidado

Agência Estado |

O verde e o relevo exuberantes da Mata Atlântica do Parque Nacional da Serra da Bocaina tentam desviar a atenção. A descida vai de 1.400 metros até o nível do mar. No rosto e no peito, o vento frio e a umidade batem sem dó. A bicicleta ganha velocidade. Uma delícia. Mas o estado é de alerta o tempo todo, já que um buraco ou pedra podem facilmente transformar a aventura em um grande susto – ou acidente sério.

Assim é a maior parte dos 30 quilômetros do trajeto entre a interiorana Cunha, em São Paulo, e a litorânea Paraty, no Estado do Rio. Trata-se do trecho final da Estrada Real, por onde outrora as pedras preciosas extraídas de Minas Gerais chegavam ao porto de Paraty.

Mais: Viagem de bicicleta requer equipamento (e fôlego) em dia

 Flickr/Ana_Ge
De Cunha a Paraty há uma descida de 1.400 metros

Se há muito tempo não passam pedras e metais valiosos por ali, o mesmo não se pode dizer dos tesouros guardados neste bem preservado trecho de mata. Conhecida como estrada Cunha-Paraty, a RJ-165 só tem condição de tráfego para veículos 4×4 – quase vazia, para alegria dos não motorizados. Uma boa pedida é fazer o tour em grupo, com carro de apoio. Escolhi me juntar a um passeio do grupo paulistano Sampa Bikers, que custa R$ 450. Éramos cerca de 30 ciclistas. Mountain bike em boas condições é indispensável. Fôlego e preparo físico, também.

Eis a primeira má notícia: os 6 quilômetros iniciais são de ascensão íngreme até a divisa dos Estados de São Paulo e do Rio. O lado bom é que o trecho é asfaltado. O percurso leva cerca de uma hora, com parada em uma cachoeira. No fim, há recompensa: quando acaba o périplo ladeira acima é servido um piquenique com frutas, cereais e refrigerante. Não vale exagerar, já que a melhor e mais perigosa parte está para começar.

A mata se fecha e o asfalto termina. Ao grupo, as recomendações do guia Paulo de Tarso, fundador do Sampa Bikers, são claras: “Cuidado, todo ano alguém vai parar no hospital nesse passeio”. Os ciclistas apenas se entreolham. Uma placa indica o início do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Das paisagens, espere um dos trechos mais bem preservados da Mata Atlântica. Os mais familiarizados descem na frente, as mãos sempre nos freios, com cautela.

Getty Images

Construções históricas são atrativos em Paraty

 

A prestadora de serviços Sylvia Sanchez, de 51 anos, se distraiu e foi ao chão, sem gravidade. “Meu pé ficou preso na pedaleira e, na hora que tirei, já não deu tempo. É normal dar uma caidinha sem machucar, até dou risada”, explica. RETA FINAL Após 20 quilômetros e 2h30 em estrada de terra, um asfalto marca a saída do parque. Mais um pouco e uma igrejinha anuncia o bairro da Penha, já em Paraty. Ali, uma estratégica parada para pastel – com cerveja, por que não? – no bar da Fátima e da Marlene.

Desculpa um pouco mais convincente é a emocionante cachoeira do Tobogã, que moradores destemidos descem em pé, no perigoso “surfe na pedra”. Mas descer sentado já é garantia de boa diversão e refresco na água gelada. E as ruas de paralelepípedo do centro de Paraty estão a apenas 5 quilômetros dali.

 

Escolha seu próximo destino

Notícias Relacionadas


iG Viagens no Facebook

Comentários (0)

Antes de escrever seu comentário, lembre-se:o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *