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Onze passeios para não perder na Cidade do Cabo

Capital legislativa da África do Sul é point de passeios gastronômicos e culturais - sempre incrementados pela paisagem pitoresca

Ana Ribeiro, enviada do iG à África do Sul |

A Cidade do Cabo é muito fotogênica, não saia de casa sem a sua câmera. De um lado está a Montanha da Mesa, que forma como que uma parede natural, e você não a perde de vista nem à noite, por conta da iluminação. Do outro está o mar. As praias são lindas, de areia fininha e branca, mas se dão melhor como paisagem do que como convite para um mergulho – a água, claríssima, é muito fria. Mesmo no verão: para os padrões brasileiros é um gelo.

Cidade do Cabo é pequena; andarilhos podem programar os passeios a pé - Foto: Getty Images

Cidade do Cabo é pequena; andarilhos podem programar os passeios a pé – Foto: Getty Images

A cidade é pequena, os andarilhos podem programar fazer quase tudo a pé. Para quem quiser embarcar em programas que demandam um pouco mais de esforço, e bem mais sofisticados (e também mais caros), tem algumas opções lindas nos arredores da cidade. A conversão atual está assim: 4 Rands = 1 Real.

Mesmo sem ver bichos – o motivo maior que leva os turistas à África do Sul –, tem muita diversão para quem quiser explorar a Cidade do Cabo.

1. Table Mountain

Montanha da Mesa, assim batizada porque tem o topo reto como um tampo, é a moldura da Cidade do Cabo. Espécie de Cristo Redentor deles, está na paisagem o tempo todo, em ângulos que mudam dependendo de por onde você estiver passando. Para subir, toma-se um teleférico que comporta 65 pessoas e lá de cima se tem uma vista espetacular da cidade e do oceano, que está a pouco mais de 1000 metros abaixo do cume da montanha.

É bom escolher um dia de clima aberto, quanto mais, melhor. Além de a vista ser mais clara, lá em cima faz frio, e em dias fechados e de vento forte, a atividade é encerrada.

A visita básica é essa: subir de teleférico, passear lá em cima, tirar muitas fotos, caminhar pelas trilhas, tomar um chocolate quente na lanchonete, comprar algum souvenir na lojinha Top Shop, descer de teleférico. O preço do passeio é 195 rands.

Uma possibilidade interessante para os mais animados e atléticos é subir de teleférico e descer a pé, ou o contrário. A caminhada leva cerca de três horas. Outra opção ainda mais aventureira é descer de rapel. Enquanto fazer um dos trajetos a pé não custa nada, e você paga metade do valor do teleférico, o rapel com instrutor custa 595 Rands, mais metade da passagem de teleférico. O primeiro teleférico sobe às 8 horas da manhã, a última subida possível é às 17h30, e o último horário para descer de teleférico é 18h30. Se o dia amanhecer bonito, é bom chegar cedo, antes que a fila cresça.

A Long Street é a rua principal da Cidade do Cabo, de dia e à noite - Foto: Getty Images

A Long Street é a rua principal da Cidade do Cabo, de dia e à noite – Foto: Getty Images

2. Long Street

A rua mais agitada da cidade tem um versão de dia e outra à noite, e ambas valem uma visita. De dia é cheia de hotéis, lojinhas, antiquários, livrarias, galeria de arte, muitas lojas de produtos naturais e até um supermercado “natural”, o Wellness Warehouse (na verdade, o Wellness fica na Kloof Street, que é a continuação da Long, que tem 3,8 quilômetros de comprimento).

Muitas das construções são imóveis vitorianos restaurados, com aquelas varandas apoiadas por pilares nas calçadas e fachadas pintadas com cores fortes ou grafites. De noite é a rua dos bares e restaurantes. Tem de tudo: lugares fechados com poucas mesas, bares com mesas na calçada e transbordando de gente, bar com música, lugares para dançar, restaurantes de comida africana, indiana, italiana, hambúrgueres (mais sobre isso abaixo).

Tanto de dia como de noite, é uma caminhada engraçada, agitada, cheia de gente. Os restaurantes fecham cedo para os padrões brasileiros, melhor se programar para jantar cedo e depois passear.

3. Safari de vinhos “Os 5 Grandes”

A teoria da vinícola Warwick, que fica a 40 minutos de carro de Cape Town, é a de que os cinco vinhos produzidos na África do Sul podem ser comparados aos “5 grandes”, isto é, o grupo de animais selvagens mais difíceis de ser capturados: leão, elefante, leopardo, rinoceronte e búfalo. Você faz um passeio pelos vinhedos em um jipe Land Rover típico de safari e o guia vai explicando as particularidades de cada uva.

O Cabernet Sauvignon, por ser cheio de tanino, seria semelhante ao leão, o mais conhecido dos animais, vigoroso e altivo. A plantação aberta à visitação tem 14 anos de idade e produz ótimas uvas – é o mesmo princípio do vinho engarrafado, que fica melhor com o tempo. A videira só começa a produzir três anos depois de plantada, e quanto mais envelhece, melhor fica o sabor, mas diminui a quantidade de produção.

A segunda plantação é de Cabernet Franc, o elefante, uma das estrelas de peso da vinícola. Em 2008, a colheita levou nota 10 (ou 5 estrelas) na bíblia do vinho sul-africano, do crítico John Platter, e a safra daquele ano esgotou. Em 2012, em que fez um verão mais frio, as uvas saíram com menos açúcar, e portanto com menos álcool.

O guia Ted Kwelepeta segura cachos da uva Cabernet Sauvignon - Foto: Ana Ribeiro

O guia Ted Kwelepeta segura cachos da uva Cabernet Sauvignon – Foto: Ana Ribeiro

O vinho Merlot é tímido e suave como o leopardo. Fácil de beber, tem sabor menos marcante e é difícil de ser notado quando misturado a outras uvas. As videiras são plantadas mais próximas umas das outras, então a plantação produz o dobro de quantidade.

O Sauvignon Blanc é o rinoceronte, que tem sabor distinto, impossível de confundir. O Sauvignon Blanc da Warwick se chama Professor Black, em homenagem a um estudioso de frutas que usava a mesma área plantada para desenvolver uma espécie híbrida de pêssego que fosse resistente ao vento forte da região. E reza a lenda que ainda é possível sentir o gosto de pêssego no vinho.

O último vinho é o Pinotage, variedade sul-africana criada com uma mistura das uvas Pinot Noir e Hermitage. Esse é o búfalo, com uma cor bem forte, sabor marcante, até um pouco demais para alguns paladares. Elas são parreiras-arbustos, plantadas direto no chão, e amadurecem mais rápido com o calor do solo. A uva tem casca grossa. É um vinho mais difícil de produzir, desde a colheita – os trabalhadores têm de agachar para colher –, e é delicado atingir a coloração adequada. Por isso ele é imprevisível, perigoso para o paladar.

Para grupos de 5 ou mais, agendamento direto no site da vinícola . O preço é 50 rands.
Um motorista com van vai cobrar 1.000 Rands para ir, voltar e esperar o passeio.

Leia também: O melhor da cidade do Panamá

Aos 82 anos, a jardineira Jean Almon cuida dos jardins do The Cellars há 22 - Foto: Ana Ribeiro

Aos 82 anos, a jardineira Jean Almon cuida dos jardins do The Cellars há 22 – Foto: Ana Ribeiro

4. Cape Malay Experience + jardins do The Cellars 
O maravilhoso hotel Hohenort, da rede Relais & Châteaux, localizado a uma hora de Cape Town, é um bom pretexto para alugar de novo a van e passar um dia no campo. A Cape Malay Experience é um jantar em que você, além de convidado, é ajudante de cozinha. A cozinheira Martha Williams, uma negra sorridente que trabalha no hotel há 10 anos e hoje é a chefe de cozinha do restaurante Cape Malay, é a condutora dessa orquestra desafinada composta por gente que pode não ter a mínima intimidade com panelas e temperos. Mesmo quem tem experiência na cozinha vai aprender alguma coisa, já que a culinária de Cape Malay é bem típica, com toques dos nativos que habitavam a região e influências dos exploradores.

O resultado é uma comida perfumada, saborosa, apimentada. No cardápio, samosas (tipo de pastelzinho com casquinha crocante, como a do rolinho primavera chinês), sopa de abóbora com gengibre, cordeiro com molho de tomate, frango com curry e abóbora e lentilhas com curry. De sobremesa, outra receita tradicional sul-africana: pudim malva.

Para a Cape Malay Experience, a chegada ao hotel é as 17h30. Vale a pena chegar mais cedo e conhecer os premiadíssimos jardins do hotel. , uma senhora distintíssima que é a única mulher do mundo a possuir três hotéis Relais & Châteaux, é apaixonada por jardins e cuida de perto dos seus. Mas melhor ainda é fazer o tour guiado pela responsável pelos jardins há 22 anos, Jean Almon, que aos 82 anos conversa diariamente com suas plantas e diz que um dia triste na sua vida é quando elas começam a morrer.

Horário de chegada: 17h30. Preço por pessoa: 675 rands, para grupos de 6 a 15 pessoas.

Um motorista com van vai cobrar 1.000 Rands para ir, voltar e esperar o passeio.

5. Almoço no vinhedo Delaire 

A uma hora de viagem de carro está outra joia da coroa de Cape Town, o restaurante do vinhedo Delaire, onde tudo é lindo: a vista, os pratos, a trilha sonora, a cozinha, os garçons – alguns têm pinta de estudante e outros de modelos da Calvin Klein. Você pode sentar no salão interno ou, se o dia estiver bonito, na varanda, sob a sombra das árvores, de onde se vê os vinhedos e parte da Montanha da Mesa ao fundo.

Comandado por Christian Campbell, restaurante do vinhedo Delaire é imperdível - Foto: Ana Ribeiro

Comandado por Christian Campbell, restaurante do vinhedo Delaire é imperdível – Foto: Ana Ribeiro

Quando chegam os pratos, os clientes até param de fotografar a vista para registrar o que estão prestes a engolir. Das receitas que saíram da cozinha do chef Christian Campbell chamaram especialmente a atenção o agnolotti de feijão branco com purê de cenoura e o cordeiro com risoto de tomate defumado, todos preparados com ingredientes orgânicos e acompanhados, claro, pelos vinhos da casa. Tudo isso misturado, é um daqueles momentos em que você pensa que a vida pode ser perfeita.

 

Preço médio do almoço, com um prato e vinho: 315 rands por pessoa.
Um motorista com van vai cobrar 1.000 Rands para ir, voltar e esperar o almoço.

6. Robben Island

A 40 minutos de barco de Cape Town, a visita à ilha em que Nelson Mandela cumpriu 18 anos de prisão (de sua pena de 27) é um passeio bem interessante. Primeiro você dá uma volta de ônibus pela ilha, com um guia que conta a história da ilha que, até 1931, quando foi descoberta a vacina contra a doença, serviu como exílio para leprosos; em 1960 virou prisão de segurança máxima, depois habitada quase que totalmente por presos políticos, e hoje é um museu.

Para mostrar o interior da prisão, quem guia a visita é um ex-prisioneiro político, que conta sobre o dia a dia no cárcere, e no fim leva os visitantes até a cela de Mandela. Em seu período na prisão, Mandela instituiu uma lei interna: “Each one teaches one” (cada um ensina um), que fez com que o conhecimento girasse entre os presos. Os alfabetizados ensinavam a ler os analfabetos, e estes ensinavam algum conhecimento técnico, como plantar, de que tivessem habilidade. Todos os presos saíam de lá mais educados do que entravam.

Apesar de tratar de uma visita a uma prisão-museu, se trata também de um passeio numa ilha, com Cape Town sempre à vista, e a Table Mountain de moldura. Em determinadas épocas do ano, a ilha fica cheia de pinguins. Programa melhor para fazer em um dia bonito, por razões óbvias e mais uma: o mar pode balançar demais em dias fechados e com vento, sob o risco de provocar enjoo nas pessoas mais sensíveis ou mesmo de o passeio ser cancelado.

O preço do ingresso, com a passagem de barco incluída, é 220 Rands

Hotel Mount Nelson é o lugar ideal para um happy hour agitado - Foto: Ana Ribeiro

Hotel Mount Nelson é o lugar ideal para um happy hour agitado – Foto: Ana Ribeiro

7. Happy-hour no Mount Nelson

O lindíssimo hotel é o Copacabana Palace de lá, e pertence à mesma rede, Orient Express. É tudo deslumbrante e bem cuidado, com serviço impecável. Os fins de tarde são agitados, com hóspedes bonitos e jovens. Um bom lugar para conhecer gente descolada (e rica) do mundo inteiro, principalmente europeus.

O restaurante Planet também é um programão, para quem quiser sentar, comer e gastar. Mas ficar no bar já é garantia de ver e ser visto. Para quem estiver num orçamento mais controlado, uma boa ideia é tomar um drink no bar e depois ir jantar em Long Street, que é do lado. O hotel tem uma saída que dá na Kloof Street, que vira a Long depois de alguns poucos quarteirões, e essa caminhada é um dos programas indicados pelo próprio hotel. Mais informações no site do Mount Nelson.

8. Hudson´s The Burger Joint 

Pelo vidro da hamburgueria chamam atenção os sanduíches, as pessoas sentadas nas mesas, as garçonetes loiríssimas e o barman, um menino de cabelo comprido com cara de versão masculina da Gisele Bündchen. O público é jovem, a música alta, e os hambúrgueres lindos e caprichados. Quase todos vêm em dois tamanhos, com menos ou mais carne. Podem ser de carne de vaca, frango ou avestruz.

Para quem estiver com fome e não preocupado em contar as calorias, os hambúrgueres são a melhor pedida. Quem estiver de olho na dieta tem também saladas e outras opções mais light, como os hambúrgueres servidos sem pão. Aliás, você pode misturar os pedidos e criar um sanduíche do jeito que quiser, eles fazem.

Na Hudson’s The Burger Joint , o preço médio de um hambúrguer grande são 70 rands.

 

Veja também: Passeios vão do kitsch ao radical em Las Vegas

 

Lojinhas descoladas ajudam na revitalização do bairro Woodstock - Foto: Ana Ribeiro

Lojinhas descoladas ajudam na revitalização do bairro Woodstock – Foto: Ana Ribeiro

9. Woodstock

Um bairro que até pouco tempo atrás estava abandonado e decadente está sendo revitalizado e vai se transformando em um lugar cool e artístico. Tem lojas descoladas, ateliês de jovens artistas, e é um passeio que por enquanto está fora do roteiro turístico de Cape Town. Aos sábados, das 9 horas da manhã às duas horas da tarde, em um antigo galpão, acontece o Neighbourgoods Market , com várias barraquinhas divertidas de roupa, comida, bijuteria, cerâmica. Mas, acima de tudo, é um ponto de encontro de gente interessante.

10. Victoria e Albert Waterfront

Passeio turístico inevitável e irresistível, o Waterfront tem várias atrações. O antigo relógio vitoriano de estilo gótico, o local de embarque para o museu de Robben Island, grupos fazendo música e vendendo CDs, lojas, restaurantes, hotéis, o mar de um lado, a Montanha da Mesa do outro. Pássaros e leões marinhos fazem parte da natureza, além do aquário onde você pode ver também uma amostra da vida marinha. É aquele lugar para bater perna, olhar souvenirs, comprar camisetas e bandeiras da África do Sul para levar de presente. E tem até acesso a um imenso shopping center, com mais de 300 lojas, se você tiver tempo para gastar.

11. Motorista que fala português

José Roberto Brites mora em Cape Town desde 1989, e conhece tudo da cidade. Tem uma van grandona, com capacidade para até sete pessoas, e está acostumado a acompanhar grupos de brasileiros de férias em Cape Town.

Ele mostra as coisas que não estão exatamente em todos os roteiros turísticos, dá dicas que servem especialmente aos brasileiros e leva os grupos para esses passeios de um dia inteiro nos arredores da cidade. Assim você pode participar das degustações nos vinhedos, acompanhar os almoços e jantares com os vinhos certos para entrada, prato principal e sobremesa, e não se preocupar com a volta para casa.

Os contatos de José são: +27(0)215532196, +21(0)834152196 ou pelo e-mail jose@netpoint.co.za

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